quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Contradições

Eu a olhei assustado, então tampei a boca dela com força, ela tentava gritar mas não conseguia eu fui a colocando contra a parede e ela se contorcia se remexia.

_Eu solto, eu solto, mas pare de gritar, pare...

_Uhum _ murmurou ela.

Eu fui soltando devagar, e quando soltei sua boca ela correu para longe, eu fui rápido e cheguei na frente dela, os olhos dela se arregalaram quando ela viu que havia chegado em sua frente.

_ Você é um monstro como ele, ah e eu pensando que você era um herói.

_ Eu não sou um monstro _ Meus olhos ficaram vermelhos, meus dentes saltaram, eu não conseguia sentir raiva, que o meu lado selvagem vinha a tona. Ela começou a gritar muito, eu a olhei e comecei a entrar em sua mente, eu via muitas imagens perdidas, muitas falhas, erros, muitas lágrimas, drogas, sexo, álcool.

Fui agilmente interrompido quando ela me deu um tapa na cara, ela me olhava com raiva, as lágrimas saíram de seu rosto que foi tomado pelo ódio.

Eu tentei me segurar, mas foi inútil, o seu sangue cheirava melhor que uma comida recém feita, do que pão recém tirado da forma, comparação para humanos entenderem.

Peguei forte seu braço e a joguei contra a parede, tirei o cabelo de cima de seu pescoço, e sem pensar mordi. Eu sentia o sangue dela descendo pela minha garganta, era bom sentir o seu gosto, a excitação foi estupidamente grande, fazia tempo que não me alimentava de alguém tão belo, um sangue tão fresco.

Ela se debatia, gritava, chorava, mas eu não conseguia parar, estava acabando com o sangue do corpo dela, e espalhando o veneno que a tornaria vampira, em breve.

Levantei-me, aproveitei que estava com sangue novo e saí correndo pela cidade, me sentia novo, me sentia vivo, o efeito de sangue fresco iria passar então eu corri, mas corri o máximo que pude, o máximo que consegui, me embalava com as mãos as vezes, conseguia flutuar por alguns instantes.

Logo estava em Gramado, cheguei em casa, a grande casa, como chamavam as pessoas da cidade, era uma casa grande, não gosto de me gabar mas é uma casa com tudo que imaginar, até algumas coisas que para nós, vampiros, não fariam falta como geladeira, cama, microondas etc. etc. e etc.

Entrei em casa feliz, cantarolando. Alguém me surpreendeu, fui jogado contra o sofá, que rolou por cima de mim. Me levantei e não consegui acompanhar o vulto que me pegou por trás e me jogou contra a janela, que quebrou em pedaços e foi caindo ao meu lado até o gramado que havia no lado de fora. Levantei-me mais uma vez, e a figura que antes era um vulto foi tomando forma, era meu pai, ele estava com uma cara pouco amigável.

_ Eu te digo para não sair e ir atrás de vampiros, e você vai _ Disse ele pegando meu braço e me jogando contra a parede _ Eu lhe aviso, se quiser se alimentar beba idosos, bebês abandonados, PROSTITUTAS! Não pessoas que farão falta, Leonard, o que eu farei com você?

_Papai, me perdo... _ Ele pegou meu pescoço e começou a apertar.

_ Você a mordeu até o veneno se espalhar? _ Eu tentei ignorar e mudar, mas ele apertou mais forte.

_ Si... Sim.

_ PUTA QUE PARIU LEONARD! O que o mundo menos precisa é de criações por acidente, Leo o que eu farei agora? Ela tem seu veneno no sangue, vai conseguir te achar aonde você estiver...

_ Eu, eu não sabia pai _ O olhar dele estava mais preocupado do que zangado agora.

_ Desculpa por gritar, mas filho, você tirou a vida de uma adolescente. Você quer tanto vingar sua vida que foi tirada pelo seu tio, e agora tira a de outra. Contradições meu filho... Contradições.

Meu pai estava certo, eu havia feito a minha primeira criação, estava tudo embaralhado na minha mente, tudo que eu um dia quis vingar, estava se tornando meu castigo, estava escrevendo minha própria história com sangue dos outros.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Sexo

Fui caminhando até um beco escuro para sentar e colocar as idéias em ordem, sentei sobre a perna e fiquei lá parado, os ratos passavam correndo por mim, se não fossem criaturas tão inferiores eu poderia jurar que por alguns instantes elas pararam para me olhar querendo dizer algo, ficaram com medo e correram para longe de mim.

Na entrada do beco um casal entrou correndo, estavam agarrados, a mulher puxava o cinto do homem com força e ele tirava a saia dela com vontade, eu não queria estragar esse momento “íntimo” mesmo eles estando em um local “público”.

Eu olhei para o topo do prédio, me parecia seguro, então me abaixei até meu joelho encostar no chão e pulei com força, desviei de algumas roupas que estavam penduradas no varal das janelas.

Estava vendo a cidade de cima daquele prédio, era tudo tão cinza, eu achava aquilo tão belo, minha cidade é cheia de árvores e plantas, me sentia trancado na floresta como um animal, que sou. Olhei para baixo, e lá estavam os dois completamente sem roupa, aquilo me excitou, não posso dizer que não, fazia tanto tempo que eu não chegava perto de alguma outra pessoa, ou vampiro, minha mão não poderia ser minha namorada para sempre.

Fui caminhando pelo telhado do prédio, e vi um movimento estranho, um homem segurava uma mulher com força e a arrastava contra vontade, ela tentava gritar mas a mão do homem segurava com força a boca da mulher, eu não pensei e me joguei do prédio, caí em pé do outro lado da rua de onde se encontravam eles dois.

_Fique bem quieta, vamos, não vou fazer nada que você não goste... _ Dizia ele com um tom de repugnância.

_Solte-a!_ só depois de falar eu me arrependi, só depois de falar eu gelei.

Ele sorriu tão estranhamente, soltou o braço dela, e tão rapidamente, tão agilmente ele parou na minha frente, ele veio em alta velocidade. Eu mantive a postura e o olhei nos olhos, estes por sua vez estavam vermelhos como o fogo.

_ Você criança, o que faz fora de casa?_ disse ele pegando meu pescoço e meu braço.

_ Quem disse que essa não é minha casa? _ disse eu tirando as mãos deles de mim.

_ Além de tudo é corajoso, você não sabe com quem está se metendo...

_ E nem você _ Dei um sorriso antes de dar um soco em sua barriga e o fazer cruzar a rua, eu corri e olhei para a mulher, a coloquei nas minhas costas, ela me implorava para a levar para casa, ela nunca fez mal para ninguém. Só então percebi que a voz não era de uma mulher, e sim de uma jovem, que deveria ter a mesma idade que eu.

Então, corri rapidamente para fugir daquele vampiro que me atacou, e atacou a pobre jovem.

_ Meu amigo, minha casa não é pra lá. _ Dizia ela chorando, mas suas lágrimas não escorriam pelo rosto, estávamos tão rápido que elas mal tocavam em seu rosto e já estavam sendo atiradas para trás.

_ Não podemos ir por aquele lado, não percebeu ainda? _ eu falava seriamente.

Paramos em um lugar com apenas a luz de um poste velho e cheio de propagandas políticas iluminando.

Eu a olhei, e então perguntei:

_ Aonde foi que você o conheceu?

_ Eu fugi de casa para ir em um bar com meus amigos, no show de um ex namorado meu _ Dizia ela amassando o ingresso, que agora já não valia para nada.

_ Vamos esperar um pouco aqui e depois eu te levo...

_ E você, o que é você?

_ Alguém muito encrencado que não vai voltar para casa essa noite...

_ Não foi isso que eu perguntei, você é algum tipo de caça-vampiros com poderes? _ Disse ela olhando para a minha camisa.

_ É, digamos que eu dou um jeito nos grandões...

_ Sua camisa, está rasgada_ disse ela colocando o dedo dentro do rasgo e acariciando minha pele _ Você é frio, gelado...

_ Qual é seu nome?_ Eu perguntei na tentativa de fazê-la mudar o assunto, e fui tirando a mão dela de mim.

_ Carol, e o seu?_ disse ela olhando para mim.

_ Leonard Haddad... _ Ela sorriu, provavelmente achou meu nome engraçado.

_ Então, como eu posso agradecer?

Ela fez a pergunta apertando o corte da minha camisa, e colocando sua mão na minha coxa, ela foi chegando perto de mim, eu estava mais gelado que o normal, coloquei a mão na perna dela também. Ela se levantou, pegou minha mão e me levou para dentro de outro beco escuro.

Ela logo me beijou, fazia tanto tempo que eu não sentia algo tão quente em meu corpo, então fui tirando a minha camisa, estava eufórico, não conseguia me segurar, o sangue dela começou a pulsar mais forte, ele estava cheirando tão deliciosamente.

_ Você é gostoso, malha? _ disse ela pegando minha bunda.

Meus dentes caninos automaticamente saltaram, cresceram, e não foi a única coisa que estava crescendo.

Carol se assustou, começou a gritar.

_AAAAAAAAAAAAAAAH!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A Pequena viagem e a Revelação de Poderes

Meu pai olhou pra mim com uma cara de apreensão:

_Filho, leia isso.

“Mortes misteriosas assombram Porto Alegre”

A policia não deu mais detalhes sobra o caso, mas o corpo de três jovens foram encontrados perto de um shopping conhecido da cidade, o corpo dos jovens não sofreu nenhum tipo de abuso sexual como desconfiava a policia. Mas um fato intrigou a policia, os corpos estavam secos, sem uma gota de sangue correndo em suas veias.

O que seria isso? Algum tipo de ataque de uma gangue que vende sangue? Ritual de magia negra? Algum tipo de pacto macabro?

João Pedro Michel.

Zero Hora – 15 de Outubro de 2009

_ Pai... Você acha que isso tem algo com o tio... _ Ele rapidamente me interrompeu.

_Filho, não sei se é o seu tio, mas isso não é coisa de humanos, existem vampiros perto de nós...

_ Pai, se esses ataques não pararem eu vou atrás de quem está causando isso...

_ Nem brinca com uma coisa dessas, você vai ter sérios problemas comigo se fizer algo assim, ouviu?

_ Sei. _ Eu iria, eu vou, é claro, ninguém nunca me impediu de nada, e meu tio matou minha mãe, a pessoa que eu mais amava na vida, meu tio tirou meus direitos de crescer, de viver feliz, tirou tudo de mim. Eu vou encontrar ele.

Meu pai me deu carona até em casa e foi para o escritório,

Eu peguei meu protetor e algum dinheiro, deixei um bilhete falando para meu pai que ia para a biblioteca, fui até a rodoviária e peguei o primeiro ônibus para Porto Alegre.

Estava ficando noite, isso foi de grande sorte para mim, eu estava com o MP4 no ouvido ouvindo minha banda favorita, The Rembrandts, o tempo passou rápido, quando vi estava em Porto Alegre.

Olhei ao redor e não conhecia nada fui caminhando até achar uma placa que indicava a direção do Shopping. Segui caminhando aquela rua, os mendigos estavam gritando, uns avisavam o fim dos tempos, outros falando que o Diabo já estava na terra, aquilo não me dava medo, mas eu sentia ódio do ser Humano por deixar algo assim acontecer com pessoas da espécie dele.

_ O veadinho está sozinho caminhando pela rua? _Disse um garoto alto, gordo, com o cabelo tão ruivo quando o fogo que eu gostaria de soltar para queima-lo.

Eu continuei caminhando sem dar bola para ele, a minha cabeça começou a doer, muito, e em um flash eu vi a mão do garoto acertar minha barriga com toda força. Olhei para trás e ele estava vindo com seu punho para me acertar, eu mais que rápido peguei sua mão e fiquei segurando:


_ A donzela indefesa é rápida, espera até eu foder sua bunda...

Eu senti tanta raiva, comecei a apertar a mão dele com tanta força que ele começou a andar pra trás, eu comecei a apertar mais e mais, eu ouvia os ossos dele quebrando em vários pedaços, ele estava chorando.

_ Repete o que você disse _ eu segurei o pescoço dele e o levantei no ar, ele estava mais vermelho que seu cabelo.

_ O que é vo-vo-você? O que é isso no seu olho? _ Ele chorava e tremia.

Meu olho estava vermelho e meus dentes para fora, ele começou a gritar. Eu o atirei para longe, ele demorou para levantar, eu fui até perto dele, meus dentes para fora dei uma lambida no pescoço dele, respirei fundo. E segui caminhando pela rua, até que a escuridão da má iluminação me engoliu.

Eu havia previsto o que ele iria fazer comigo... Será que meus poderes estavam se revelando?

Pedra do Amor

O tempo passou muito rápido, a aula de matemática que veio logo após eu nem vi passar direito, era prova, e eu fui um dos primeiros a acabar e entregar a prova.
Entreguei minha prova e fui dar uma volta pela escola aonde o pouco de sol não batia, mesmo assim o verão está chegando e logo estudo de noite, eu havia esquecido meu protetor em casa. O protetor é parecido com o filtro solar humano, mas é feito por bruxos do interior da Inglaterra, leva com ele vários dos elementos místicos e conseguem fazer um vampiro agüentar um pouco mais de 15 minutos no sol.

Sentei no alto de uma pedra, a pedra do amor, conhecida por toda escola pela quantidade de nomes e corações, dizem que ao colocar o seu nome e o de alguém na pedra vocês vão ter uma vida cheia de amores. O amor não é meu forte, eu não consigo me apaixonar, talvez tenha me apaixonado uma vez, quem sabe, por uma garota da argentina, Paola, foi com quem eu tive minha primeira e única experiência sexual, foi tudo tão confuso para mim, minha força é algo que não consigo controlar direito, ainda tenho que trabalhar muito no meu lado psicológico para então poder controlar meus poderes.
Falando em poderes, meu pai é advogado, um dos mais respeitados da cidade, e não é por menos, meu pai tem poderes mentais, ele consegue implantar na mente de quem quiser coisas, fatos, imagens, tudo. Seu controle é perfeito, minha mãe era uma teleportadora, conseguia ir para qualquer lugar quando e como quisesse. E eu, ainda não descobri direito, mas como força é de todo vampiro, acho que sou uma fraude HAHA.

Olhei para o meu lado e lá estava ele, Gui, olhando-me de longe e parecia estar com uma cara pouco agradável, mas isso para os irmãos Ventura não era novidade, ambos quando não queriam parecer agradáveis eram naturalmente frios.
Olhei para trás para ver se não estava me equivocando, mas não, eu estava sozinho no pátio, mas quando voltei a olhar para lá, ele já não estava mais me encarando, nem sequer estava lá.
Olhei para o portão da escola e o carro de meu pai parou, corri rápidamente para ver o que ele queria.

_ O que foi pai? _Perguntei apreensivo.
_ Calma filho, temos que conversar_ disse ele com a voz arrastada e cansada, fazia tempo que ele já não era o mesmo e se sentia bem como quando vivíamos na Itália.

Drácula

Meu dia sempre começa meio chato, ou na verdade é minha noite que termina, sou um vampiro, não consigo dormir, só em noites de lua cheia, é um ciclo que marca a temporada de sede, que é quando preciso me afastar para as montanhas com o meu pai para não atacar os humanos, o sangue deles na temporada de sede cheira muito mais forte, fica quase impossível controlar a doida obsessão de beber o sangue de todos, mas mesmo assim meu pai andou matando umas prostitutas semanas atrás, meu pai é um homem solitário, tentou namorar mas fica dificil, até demais. Eu entendo meu pai, ele precisa de sexo, como todo homem.

Estudo em uma escola não muito grande, não tenho amigos, meu pai não deixa eu me aproximar de ninguém, ele sente muito medo, mesmo sendo quase mais de 100 anos que meu tio não dá sinal de “vida” ele acha que a qualquer momento ele terá que enfrentar Jonatan e Jenifer, eu sinto que a batalha vai chegar algum dia, mas eu vejo meus colegas e pessoas da escola se divertindo e tudo, sinto vontade de ser amigo de alguém, mas parece que ninguém tenta, ou quase ninguém.

Cheguei na escola 7:15, estava quase na hora de entrar, meu pai me leva até lá de carro, no Brasil a idade para dirigir é 18, e eu estou preso nos 17 anos para sempre... Queria ser um pouco mais velho, não quero ser adolescente por toda eternidade.

Fui direto para minha sala de aula, não tenho amigos nem conhecidos para conversar, me sentei na classe e fiquei esperando o professor entrar e falar sobre algum assunto que eu com certeza eu já tinha ouvido falar, e como a primeira aula era literatura estrangeira, obviamente eu vivi em tal época para ver acontecer o que ele iria falar por 50 minutos.

Olhei para a porta rapidamente após sentir um leve pulsar em todos meus dedos, pressentindo que algo ruim iria acontecer, mas era alarme falso, na porta só estavam Gui e Amanda, irmãos gêmeos, quase idênticos se não fosse a cor de seus olhos e de seu cabelo. Gui era alto e magro como a irmã, sua pele era bronzeada e seu cabelo era de um castanho tronco de árvore, já sua irmã, era um pouco mais branca que Gui, mas seu cabelo lembrava um horizonte logo antes do amanhecer, era loiro-bronze e muito bem cuidado. Os olhos de Gui eram verdes, os de Amanda castanhos.

_Bom dia Leonard! _ Disse Amanda sorrindo freneticamente e balançando seu cabelo repetidas vezes.

_Olá_ Fui seco, mas não conseguia dar confiança para ninguém, as palavras de meu pai me proibindo de fazer amizades vinham em minha cabeça todo tempo.

O professor entrou na sala e me tirou desse momento embaraçoso, salvo pelo gongo!

Não é engraçado o momento, mas eu ri de mim mesmo quando a voz aguda e fina do professor Evandro Castino ecoou pela sala com as palavras “Drácula de Bram Stoker

Drácula realmente existe, não vou dizer que tive a sorte e o prazer de conhecer o pai dos vampiros, mas meu pai disse que ele “é” um homem muito frio e malvado, agora esse tal de Bram Stoker, era amigo intimo de Drácula, que o traiu e resolveu contar a sua história para a humanidade. Bram hoje está vivendo atormentado pelas 3 mulheres de Drácula, esse não é seu verdadeiro nome, o nome dele é Vlad Tepes, nasceu em 1431 e governou o território que corresponde à atual Romênia.

Eu realmente não queria ouvir mais uma das teorias humanas para os vampiros.

Fiquei olhando para a janela, e vi que o sol ainda não havia aparecido, adoro o inverno nessas cidades gaúchas, o sol nunca aparece. E quando aparece e fica calor, logo vem a forte tempestade.

Apresentação. (Tentativa)

Meu nome é Leonard Haddad, moro com o meu pai, Pietro, na cidade de Gramado, Rio Grande do Sul, sei que parece estranho um vampiro em um país tropical, mas minha família está foragida do meu tio, Jonatan Haddad, da Italia, ele foi culpado pela morte da minha mãe. Tenho 17 anos, isso já faz 159 anos, estou fazendo o ensino médio em cada cidade que vamos...
Para começar, estou fazendo esse blog pela nostalgia que me causa ficar trancado em casa em dias com sol forte, mas não se enganem com o que dizem, eu não vou brilhar, muito mais sério, eu posso virar um morcego... Brincadeira, não existe ligação alguma com nós, vampiros, e os pobres morcegos, se eles não saem de dia, eles não sabem o como bom é sentir o sol na sua pele.

Nasci na Itália, no ano de 1833, meu pai e minha mãe sempre me esconderam algo, algo que para eles, não faria diferença para mim, os filhos de vampiros nem sempre nascem com essa maldição, com esse pesadelo. Eu fui um desses sortudos, isso irritou o meu tio Jonatan que fez de tudo para acabar com a minha raça, minha mãe e meu pai sempre me protegeram com unhas e dentes até que uma noite, nunca vou esquecer, era 15 de novembro de 1850, um dia antes do meu tão esperado aniversário, eu já sabia que meus pais eram vampiros, na época eram chamados de Guerreiros do Diabo, foi difícil acreditar nisso e ficar longe deles quando os meus pais ficavam na temporada de Sede.

15 de novembro de 1850, meu tio Jonatan entrou pela porta da frente da nossa casa com uma tocha na mão, e começou a colocar fogo em tudo, minha mãe segurou forte a minha mão, ela havia dito ao meu tio que me transformara em vampiro na noite passada, mas pegou tão forte minha mão que sua unha furou meu braço e logo começou a sair sangue. Meu tio pulou por cima do sofá e começou a pular de móvel em móvel e cada vez mais perto, depois disso só me lembro de olhar meu braço todo ensangüentado e por cima do ombro do meu pai, que ficou na minha frente o tempo todo, eu vi meu tio Jonatan cravar uma estaca pontuda no peito de minha mãe e ela deixar cair o brasão da família Haddad, meu tio pegou o brasão e em voz alta disse:

_ A vergonha de minha família, está aqui. _ Após isso deu um riso e eu desmaiei, nisso, meu pai me contou, meu tio o jogou para longe, vampiros tem uma força enorme, e mordeu meu braço e espalhou o “veneno” pelo meu sangue. Me tornei um vampiro.

Acordei em um trem, meu pai conseguiu pegar o ouro que guardava em casa no sótão, estávamos indo para a América do Sul.

Era 13 de setembro de 1900
Fomos achados na argentina, no inverno. O frio embaçara o vidro, nada eu conseguia enxergar, ficava desenhando coisas sem sentido, tentando imaginar como seria viver para poder aproveitar o sol, eu estava mais branco que a neve, meu cabelo era negro como o carvão, e ficava caindo sobre meu olho, isso me irritava profundamente.

Meu pai entrou correndo em casa, recebera uma carta de meu tio, ele não era de avisar, isso foi o que assustou meu pai, era idéia de Jenifer, a mulher de meu tio, uma mulher fria, que já matou 4 padres em Roma, 6 crianças de um orfanato, tudo isso em um dia, claro.

Ele não nos alcançou, viemos parar em Gramado, no Brasil. Logo acho que vou me mudar, eu sinto que meu tio está chegando, mas enquanto ele não chegar quero escrever para vocês. Me desejem sorte.